A Mulher Deve Adotar o Sobrenome do Marido?

Em todo o mundo, tem sido cada vez comum o homem, ao casar, tomar para si o sobrenome da mulher. Mas ainda a maioria dos homens acredita que o melhor mesmo é que a mulher adote o sobrenome do marido. Inclusive nos Estados Unidos cerca de metade dos homens pensam que o governo deveria obrigar as recém-casadas a fazê-lo.

No entanto, para a perspectiva da psicologia evolucionista, não é relevante se é a mulher quem adota o sobrenome do marido, se é o marido quem adota o sobrenome da mulher, ou mesmo se os dois vão manter seus nomes de solteiro após o casamento. O que realmente importa é que os filhos adotem o sobrenome do pai.

A incerteza de paternidade é um problema adaptativo muito relevante para os mamíferos, pois são os animais que precisam dar maior atenção aos seus descendentes para garantir sua sobrevivência. Um homem traído acaba investindo recursos na descendência de outro homem. Do ponto de vista da economia da natureza, ele perde os recursos que transmite aos filhos de outro, e também a oportunidade de perpetuar seus genes através de sua própria descendência.

Ao contrário da ciência, com seus exames de DNA, a natureza por si só não oferece garantias de paternidade, já que nem sempre os filhos se parecem com seus pais. Portanto, é natural que a família – especialmente por parte da mãe – faça esforços para convencer o homem de que o filho é realmente dele. O objetivo destes esforços é convencê-lo da paternidade, e assim garantir maiores chances de sobrevivência para a criança.

Assim, para a psicologia evolucionista, a convenção de se atribuir o sobrenome do pai aos filhos é um meio utilizado pela mãe e sua família para convencer o pai de sua paternidade. Quando a mãe concorda em dar ao filho o sobrenome do pai, é como se ela estivesse dizendo: “Fica tranquilo que é seu.” Com esta garantia adicional, é maior a probabilidade do pai investir na criança, a qual por sua vez terá maior chances de sobrevivência do que aquela que não recebeu o sobrenome do pai.

Na Rússia, este sistema de garantia de paternidade recebeu um upgrade. Filhos homens ou mulheres, além de recebem o sobrenome do pai ainda recebem um patronímico, ou seja, um nome do meio derivado do primeiro nome do pai. Isto sugere que, historicamente, os russos precisaram de garantias mais consistentes de paternidade do que os homens de outras nacionalidades.

É possível levantar três hipóteses para isto. A primeira é que o clima hostil aumenta a necessidade de investimento do pai na criança, fazendo aumentar a necessidade de garantias de paternidade. A segunda é que os homens russos eram geneticamente menos motivados a cuidar de seus filhos, tornando necessária uma pressão social adicional. E a terceira é que as mulheres russas eram mais inclinadas a trair seus maridos.

O Nepotismo Está no Sangue

O nepotismo está no centro da atual crise no Senado. No início de junho vieram à tona os atos secretos. Depois descobriu-se que eles serviram para nomear parentes de senadores, especialmente de José Sarney, como no caso de seu filho e de uma sobrinha. Todos sabem que o nepotismo é uma prática nociva. Além de violar o princípio da igualdade, o nepotismo ainda contribui para a ineficiência administrativa. O que leva os políticos (e o cidadão comum) a favorecer parentes e pessoas próximas, mesmo quando a lógica é contrariada e a lei impede que isto seja feito?

Segundo os princípios da Psicologia Evolucionista, o nepotismo pode ser explicado através da teoria da Kin Selection, ou Seleção pelo Parentesco. Quando um indivíduo coopera com o sucesso de seus descendentes, está influenciando o sucesso da perpetuação de seus próprios genes. É a forma que nosso material genético “encontrou” para garantir sua continuidade.

A maioria dos animais sociais apresentam este traço comportamental determinado pela lógica da seleção natural. E o ser humano também procede de acordo com esta regra. Em nossas relações sociais, buscamos favorecer sempre nossos descendentes, parentes, amigos e pessoas próximas. É isso o que faz um político, quando contrata um parente. Contudo, quando existem certas normas sociais e morais que colocam outros princípios acima da individualidade, somos obrigados a desistir deste favorecimento. É isso que não faz um político, quando contrata um parente.